Miguel Dantas Gonçalves Pereira é uma das figuras cimeiras de Paredes de Coura, não só pelo estatuto social alcançado - foi Conselheiro de Estado e Par do Reino -, mas sobretudo pelo vasto legado de obras que deixou ao concelho.
O presbítero e Jurista Narciso Cândido Alves da Cunha apelidou-o, na Monografia “No Alto Minho - Paredes de Coura”, publicada em 1909, de “o infatigável obreiro courense”.
Natural da freguesia de Formariz, onde nasceu em 20 de Agosto de 1836, filho de Bento José Gonçalves Pereira, que acumulava a profissão de farmacêutico com as funções de secretário da Câmara, e de D. Teresa Joaquina Pereira Dantas, começou por se dedicar às atividades comerciais.
Segundo consta na biografia da autoria de Júlio de Lemos, aos 14 anos ruma ao Brasil, um país próspero, no qual, graças ao talento para as lides do negócio, viria a fazer fortuna.
No Rio de Janeiro conhece Bernardina Maria da Silva, com quem se casa, em 1860. Do enlace nasceu uma filha, D. Elzira Dantas Machado, que mais tarde haveria de unir-se em matrimónio a Bernardino Machado, Presidente da República.
Com uma situação financeira invejável, Miguel Dantas regressou a Portugal, em 1870, mais concretamente ao Porto, onde viria a casar em segundas núpcias com D. Maria da Assunção Gonçalves Pereira.
Na “Invicta” dedicou-se à política ao mesmo tempo que tomou diligências no sentido de proteger os mais carenciados, mediante a criação da Associação de Beneficência e Caridade de Cedofeita e através do auxílio prestado à Real Sociedade Humanitária do Porto.
Entre o vai e vem constante, fixou residência em Formariz num palacete, que mandou erigir, situado junto à bucólica Ponte de Mantelães, de cuja fábrica de leite foi proprietário.
Na qualidade de deputado, eleito por Coura pela primeira vez em 1878, cargo que ocupou durante vários mandatos, e de presidente da Câmara - foi chefe do executivo entre 1882 e 1895 - pugnou pelo desenvolvimento do seu concelho.
Ressalte-se o domínio das obras públicas - foi o obreiro do edifício dos Paços do Concelho (a aprovação do projeto fez parte das primeiras deliberações tomadas enquanto presidente da Câmara, considerada prioritária); do Hospital da Misericórdia; da Cadeia Comarcã; do Matadouro; dos recintos das feiras; bem como de inúmeras vias de comunicação que ainda hoje são decisivas na ligação ao distrito, designadamente as estradas que dão acesso a S. Pedro da Torre; a Caminha, por Covas; a Monção, por Insalde, e a Arcos de Valdevez, por Vascões.
Contudo, a sua gestão não se confinava ao aspecto material: combateu a iliteracia através da criação de doze escolas de instrução primária.
Miguel Dantas trouxe, também, o telégrafo para Paredes de Coura, que, à época, constituiu um dispositivo importante na evolução das telecomunicações, tendo criado ainda a Conservatória do Registo Predial (até então os munícipes tinham que se deslocar a Valença), aproximando assim os serviços da administração pública dos cidadãos.
Ajudou, igualmente, várias paróquias na obtenção de subsídios, muito úteis à realização de diversas ações de beneficiação do património religioso.
Reconhecidos pelo modo com que se dedicou às causas do município, os courenses quiseram homenagear o seu maior benemérito e erigiram-lhe um monumento em frente aos Paços do Concelho - o busto é da autoria de José Maria de Sá Lemos - inaugurado em 11 de setembro de 1932.
Nessa ocasião, o professor António Ramos proferiu um discurso, no qual recordou a personalidade multifacetada de Miguel Dantas.
Apesar de ter morrido em Lisboa, em 8 de Junho de 1905, Miguel Dantas foi sepultado no cemitério de Formariz.